1971 - A DESTITUIÇÃO DO CARGO PELOS MILITARES


         
 Perto das 9h, quase na hora do intervalo dos alunos, o colégio foi cercado por um aparato enorme de policiais que vinha retirar Henriette de seu cargo, na manhã de 20 de agosto de 1971, sua “aventura pedagógica” foi interrompida, o Colégio foi cercado e Henriette Amado foi retirada de seu cargo diretivo, saindo escoltada, pois os militares tinham um mandato de prisão. Henriette resistiu, disse que só sairia da escola com seu marido, só quando o Dr. Gilson chegou, umas duas horas depois, foi que ela concordou em sair da sala da direção. Gilson veio e ela saiu com ele. Ela saindo e todos chorando. Pela quantidade de policiais e camburões que estavam em volta do colégio naquele dia, tinham medo de uma reação dos alunos.
       Nos três dias seguintes a sua retirada, alunos e professores permaneceram sentados em frente ao colégio em vigília, clamando pela sua volta. Uma tentativa inútil tendo em vista ser aquele período caracterizado pelo auge e recrudescimento das práticas mais autoritárias do governo militar.
        Sua “aventura interrompida” merece ser revista e viabilizada em espaços educativos diferenciados, não somente aqueles destinados à escolarização formal, como possibilidade de ampliação de entendimento de mundo e conseqüente emancipação humana. Para isso é necessário o exercício constante de práticas efetivamente democráticas em oposição a uma lógica opressora e limitadora das liberdades coletivas.